Monday, December 19, 2005



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BHAKTISIDDHANTA SARASVATI THAKURA

Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura, o guru de A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, apareceu em Sri Ksetra Dhama (Jagannatha Puri) a 6 de fevereiro de 1874 como Filho de Srila Saccinanda Bhaktivinoda Thakura. Em sua infância ele rapidamente dominou os Vedas, memorizou o Bhagavad-gita, e saboreava as obras filosóficas de seu pai. Tornou-se conhecido como “A Enciclopédia Viva” devido a seu vasto conhecimento.

Ele pregava convincentemente contra fanáticos pelas castas e os desvios filosóficos do Gaudiya Vaisnavismo. Tentou unir as quatro sampradayas Vaisnavas publicando seus ensinamentos. Srila Sarasvati Thakura ganhou o título de Nrsimha Guru por seu destemor e poderosa transmissão do siddhanta Vaisnava. Mayavadis atravessavam a rua para evitar de confrontar o “guru-leão.” Além de ser um corajoso pregador, era ornamentado com todas as qualidades divinas e cheio de amor extático por Deus. Estabeleceu 64 templos Gaudiya Math na Índia e centros na Birmânia (Miyanmar), Inglaterra e Alemanha.

Srila Sarasvati Thakura escavou o local de aparecimento do Senhor Chaitanya no Yogapitha em Sridhama Mayapur, apesar de pesada oposição por parte dos Goswamis de casta de Navadvipa, ávidos de dinheiro. Construiu um belo templo Gaudiya Math ali.

Suas três Brhat-mrdangas (prensas tipográficas) em Madras, Calcutá, e Krishna-nagara, costumavam jorrar livros, revistas, e jornais para espalhar a mensagem de Sri Gauranga Mahaprabhu.

Quando perguntado porque imprimia um jornal espiritual diário intitulado Nadia Prakash, Srila Sarasvati Thakura respondeu. “Se uma insignificante cidade pode produzir cinco jornais diários, então por que não podemos publicar um jornal a cada segundo sobre as eternas, sempre novas atividades da Suprema Personalidade de Deus em Seu ilimitado planeta espiritual, Goloka Vrindavana?”

Além dos escritos de seu pai, ele publicou muitos shastras autorizados: Bhagavad-gita, Srimad Bhagavatam, Chaitanya Bhagavata, Chaitanya Mangala, Prema-bhakti-chandrika, e seu livro favorito Chaitanya Charitamrta. Predisse que estrangeiros iriam aprender Bengali a fim de saborear o néctar deixado por Srila Krishna Dasa Kaviraja no Chaitanya Charitamrta.

Ele introduziu muitas inovações para expandir a pregação. Por toda Índia organizava exposições teistas grátis e dioramas retratando os passatempos de Sri Krishna e Sri Chaitanya Mahaprabhu. Empregando a mais recente tecnologia, até mesmo tinha bonecos animados. Para comemorar os muitos locais sagrados visitados pelo Senhor Chaitanya ele instalou impressões de mármore dos pés de lótus do Senhor. Quebrando a tradição, permitia que seus sannyasis usassem kurtas e casacos costurados, que andassem em carros e barcos a motor, e carregassem a mensagem de Mahaprabhu atravessando o mar até a Europa.

As revolucionárias idéias de pregação de Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati originavam-se do princípio shastrico de yukta-vairagya exposto pelo rasa acharya Srila Rupa Goswami. Sendo uma alma eternamente liberada, Srila Sarasvati Thakura sabia como ocupar perfeitamente Maya (a energia ilusória) no serviço do Senhor Krishna.

Seguindo os passos de Srila Thakura Bhaktivinoda, ele pregou daivi varnashrama para harmonizar a sociedade e proporcionar realização espiritual a todos. Advogando os ensinamentos de Sri Rupa e Sri Raghunatha Dasa Goswamis, ensinou a ciência do serviço devocional, e mostrou a milhares como obter amor puro por Sri-Sri Gandharvika-Giridhari (Radha-Krishna).

Além de seu fenomenal sucesso na pregação da Índia, a maior contribuição de Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura foi A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, que ele iniciou e inspirou a distribuir consciência de Krishna pelo mundo todo. Quando pediram a Srila Prabhupada para descrever seu mestre espiritual Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura, ele disse: “Que posso dizer? Ele era um homem de Vaikuntha.”

Nos passatempos eternos de Radha-Govinda em Goloka Vrindavana, Srila Sarasvati Thakura serve como Nayana-mani manjari. Seus pushpa samadhis estão no Radha-kunda e Radha Damodara (16,35)

BHUGARBHA GOSWAMI
Sri Bhugarbha Goswami um discípulo de Sri Gadadhara Pandit. Sri Bhugarbha Goswami tinha uma amizade íntima com Sri Lokanatha Goswami. Inspirados pelo Senhor Chaitanya, eles eram os primeiros e mais seniores dos devotos a se fixarem em Vrindavana. Antes da chegada de Sri Rupa e Sri Sanatana Goswamis eles tentaram descobrir os locais sagrados perdidos de Radha-Govindaji.

Diferente da abordagem agressiva dos cientistas modernos para descobrir o desconhecido, Bhugarbha e Lokanatha Goswamis encontraram as florestas dos passatempos de Krishna pelo humilde método da rendição. Eles simplesmente perambulavam por Vrindavana clamando os nomes das doze florestas: “Bhandiravan, Kamyavan, Mahavam, Talavan...” E Srimati Vrinda Devi ( a mantenedora das florestas e uma expansão da potência de passatempos de Krishna) revelou a localização exata de cada uma das florestas.

Conta-se que para evitar distrações materiais Bhugarbha realizava seu bhajana subterraneamente. Assim ele recebeu o nome de Bhugarbha (bhu significa terra, garbha significa caverna, ventre, local oculto). Ele é Prema-manjari ou Bhadra Rekhika na nitya-nikunja lilá de Radha Gopinatha. Seu samadhi fica próximo ao de Sri Rupa Goswami no pátio do templo Radha Damodara. (17,35)

DEVANANDA PANDIT Vivendo em Kuliya durante os passatempos de Sri Chaitanya, Sri Devananda Pandit fazia leituras profissionais do Srimad Bhagavatam tingidas de filosofia Mayavada. Um dia Srivasa Pandit ouviu seu Bhagavata-katha, começou a chorar, e caiu ao solo. Ficando perturbados por essa demonstração, os tolos discípulos de Devananda jogaram Srivasa para fora da assembléia. Por observar silenciosamente este mau comportamento de seus discípulos, devananda cometeu o hasti-mata aparadha, a ofensa do elefante louco de blasfemar um devoto puro do Senhor Chaitanya.
Mais tarde, pela misericórdia de Vakresvara Pandit, um devoto íntimo de Sri Gaura Raya, Devananda entendeu a divindade de Sri Krishna Chaitanya e rendeu-se a Ele. O Senhor perdoou sua ofensa e abençoou-o com bhakti. Ele serve na Krishna lila como Bhaguri Muni.

GAURA KISHORA DASA BABAJI MAHARAJA
Em 1849, Srila Gaura Kishora Dasa Babaji deixou a vida de grhasta após a morte de sua esposa. Ele mudou-se para Vrndavana e tomou iniciação de Sri Bhagavata Dasa Babaji, um discípulo de Sri Jagannatha Dasa Babaji. Por mais de trinta anos Gaura Kishora Dasa Babaji permaneceu em Vrndavana realizando bhajana sob as árvores em Giri-Govardhana, Nandagrama, Varsana, Radha-kunda, Surya-kunda, Raval, Gokula.

Sentado no isolamento, ele cantava 200.000 nomes de Krishna todo dia (128 voltas de japa). Ele sentia dolorosa separação de Radha-Govinda e chorava profusamente. Enquanto vagava pelas dvadasa vana (12 florestas) de Vraja, cantava alto os santos nomes numa voz profunda cheia de lamentação. Ele também saboreava o seguinte bhajan:

kothay go prema-mayi radhe radhe!
radhe radhe go jaya radhe radhe!
dekha diya prana rakho radhe radhe!
tomar kangal tomay dake radhe radhe!
radhe vrindavana-vilasini radhe radhe!
radhe kanu-mano-mohini radhe radhe!
radhe astha-sakhir siromani radhe radhe!
radhe vrsabhanu-nandini radhe, radhe!

“Ó Radhe Radhe! Onde estás, ó Deusa do amor extático? Ó Radhe Radhe! Todas as glorias a Ti, ó Radhe Radhe!
Ó Radhe Radhe! Por favor mostra-Te para mim e através disso mantenha minha vida. Teu mais desprezível servo caído clama por Ti, ó Radhe Radhe!
Ó Radhe! Ó engenhosa desfrutadora de Vrindavana. Ó Radhe Radhe! Ó Radhe! Ó encantadora da mente de Kanu (Krishna). Ó Radhe Radhe!
Ó Radhe! Ó jóia real de Tuas oito principais amigas. Ó Radhe Radhe! Ó Radhe! Ó deliciosa filha de Maharaja Vrsabhanu. Ó Radhe Radhe!”

O humor de renúncia de Srila Babaji Marahaja era sem paralelo. Às vezes ele comia argila das margens do Radha-kunda ou do Yamuna. Outras vezes ele tomava madhukari dos Vrajavasis. Madhukari é a prática diária de um babaji de mendigar um pouco de alimento de uma a sete casas, assim como uma abelha coleta uma gota de mel de cada flor. Ele via todos os Vrajavasis (residentes de Vrindavana) como sendo associados pessoais diretos de Radha e Krishna. Como resultado desta visão, ele prestava respeitos a cada pessoa, vaca, animal, ave, árvore, trepadeira, inseto, formiga no sagrado dhama.

Enquanto permaneceu em Varsana ele fazia uma guirlanda de flores todo dia para Raí e Kanu (Radha-Krishna). Após trinta anos de prestar serviços íntimos a Radha e Krishna em Vrndavana, Babaji sentiu-se inspirado pelo Casal Divino a Ver Sri Navadvipa Dhama. Ele visitou todos os lila sthanas do Senhor Gauranga em Gaura Mandala. Em Navadvipa, ele costumava cantar um bhajana que significa: “Por receber a misericórdia de Nitai se consegue a misericórdia de Gauranga, que nos torna elegível para Krishna prema. Com Krishna prema se pode obter o serviço de Srimati Radharani e das gopis.”

Gaura Kishora Dasa Babaji era a forma encarnada da renúncia de Sri Rupa-Raghunatha. Completamente desapegado, ele lavava pano descartado para cobrir seu corpo. Bebia de um pote de barro rejeitado. Arroz ressecado misturado com água do Ganges ou simplesmente algum barro da margem do Ganga sustinha sua vida.

Ele carregava dois livros escritos por Sri Narottama Dasa Thakura. Prarthana e Prema-bhakti-chandrika. No Ekadasi ele nem comia ou bebia uma gota d’água. Reconhecendo-o como um mahabhagavata muitos tentavam servir, porém nunca ele aceitava.

Regularmente, ele se associava com e ouvia o Srimad-Bhagavatam de Srila Thakura Bhaktivinoda em Svananda sukhada kunja em Godrumadvipa. Constantemente absorvido em bhajana, Srila Babaji Maharaja não tinha desejo de fazer discípulos. A pedido de Bhaktivinoda Thakura, contudo, ele reconsiderou. Ao ver a verdadeira humildade e profundo apego do filho de Thakura Bhaktivinoda por bhajana, Srila Gaurakishora Dasa Babaji aceitou um discípulo – Sri Varsabhanavi-dayita Dasa (Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura).

Para evitar que pessoas mundanas se aproximassem dele para bênçãos materiais, uma vez residiu nos lavatórios no Kuliya Dharmashalla (em Koladvipa) por seis meses. Quando funcionários públicos vieram se oferecer para construírem um bhajana kutir adequado, Babaji Maharaja trancou-se por dentro e disse que já tinha um. Ele acreditava que associar-se com pessoas materialistas é muito pior que o cheiro de fezes na latrina.

Gaura Kishora Dasa Babaji aconselhou um médico de Calcutá que queria abrir uma clínica de saúde gratuita em Navadvipa Dhama: “Se realmente quer viver em Navadvipa Dhama, então abandone seu desejo de administrar uma clínica grátis para curar desfrutadores dos sentidos. Se quer prestar serviço substancial, então renuncie a tudo exceto ao que promove Hari Bhajana. Todos os outros tipos de deveres e serviços simplesmente nos atam ao medonho ciclo de reações karmicas.”

Babaji Maharaja falou gravemente para um homem recém-casado: “Uma esposa Vaisnava é extremamente rara e difícil de encontrar neste mundo. Caso se tenha a boa fortuna de possuir uma, deve-se ver isto como uma benção de Krishna. A esposa adora o marido como seu senhor e amo. Similarmente, o marido deve adorar a esposa porque ela é Krishna dasi, uma serva de Krishna. Desta maneira, o marido pode proteger seu entusiasmo devocional ao não considerar sua esposa como sendo sua serva, mas que ela sempre é a serva de Krishna.”

“Quem quer bhojana (comer gostosamente) irá estragar seu bhajana,” era uma citação favorita de Srila Babaji Maharaja. Em outras palavras, comer aqui e ali simplesmente para gratificar a língua (bhojana) destrói qualquer tentativa de adorar Krishna (bhajana). Uma vez um devoto comeu um pouco de prasadam de festival em seu bhajana kutir. Babaji Maharaja não queria falar com ele durante três dias. No quarto dia ele disse: “Aceitaste” prasadam de festival” dada por meretrizes de baixa classe e belas mulheres. Porque tomaste alimento sem considerar sua origem teu bhajana é inútil.”

A essência das instruções de Srila Gaura Dasa Babaji: “O Divino Nome de Krishna oferece o único refúgio. Nunca se deve tentar lembrar dos passatempos de Radha-Damodara mediante métodos artificiais. O cantar constante dos Nomes Divinos irá purificar o coração. Por cantar Hari Nama as silabas do maha-mantra (Hare Krishna Hare krishna Krishna Krishna Hare Hare, Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare) irão gradualmente revelar a forma, qualidades, passatempos espirituais de Sri Krishna. Então se realizará a própria forma espiritual eterna, serviço, e as onze particulariedades de sua identidade espiritual.”

Seguindo a declaração de Babaji Maharaja, “arrastem meu corpo morto através das ruas de Navadvipa,” um grupo de assim chamados devotos avançados propuseram cometer dito sacrilégio. Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura, entretanto, desafiou-os: “Segundo o shastra, quem teve associação carnal com uma mulher largada dentro das últimas vinte e quatro horas está contaminado, e portanto não qualificado para tocar meu Guru Maharaja.” Ouvindo esta ousada declaração, os brahmanas de coração enegrecido bateram em rápida retirada.

A 19 de novembro de 1915, Srila Gaura Kishora Dasa Babaji Maharaja juntou-se aos eternos passatempos bem-aventurados de Gandharvika-Giridhari. Seu amado discípulo, Srila Baktisiddhanta Sarasvati Thakura, estabeleceu seu samadhi nas margens do Radha-kunda do Sri Chaitanya Matha, perto do Yogapitha do Senhor Chaitanya em Sridhama Mayapur.

Na Vraja lilá ele serve Srimati Radharani como Guna-manjari. Seu pushpa samadhi fica ao lado do Radha-kunja Bihari Gaudiya Matha perto do Radha-kunda. (16, 15)

KALIYA KRISHNA DASA

“Certamente se alcança Sri Chaitanya e Sri Nityananda simplesmente por lembrar de Kaliya Krishna Dasa.” (Chaitanya Bhagavata) Completamente devotado ao Senhor Nityananda, Kaliya Krishna Dasa não conhecia nada além dos pés de lótus de Nitai. Ele deixou seu corpo enquanto fazia bhajana em Vrindavana. Na Vraja lila ele é Labanga, uma amigo vaqueirinho de Krishna-Balarãma.

KASISVARA PANDIT

Sri Isvara Puri enviou seus discípulos, Govinda e Kasisvara Pandit, para Jagannatha Puri para humildemente servir o Senhor Chaitanya. Relutando em aceitar serviço de Seus irmãos espirituais, Sri Chaitanya finalmente concordou como era desejo de Seu guru. Chamando-se Kalavati e Sasirekha na Vraja lilá, Govinda e Kasisvara trazem água do Yamuna para o Senhor Krishna. Kasisvara Pandit, cujo corpo era de porte forte e poderoso, costumava andar diante do Senhor Chaitanya, evitando que as multidões tocassem Nele. E depois dos kirtanas ele servia prasadam a todos devotos.

Sri Gaurasundara pediu a Kasisvara para mudar-se para Vrindavana para adorar a Deidade de Sri Rupa Goswami, Govindaji. Temendo separação do Senhor Chaitanya, Kasisvara disse: “Meu Senhor, se eu tiver que abandonar Tua associação meu coração irá se partir em dois.” Por compaixão por Seu devoto, o Senhor Gaurachandra deu-lhe uma Deidade Dele mesmo que era tão perfeitamente formada que se parecia exatamente com o Senhor. “Gaura-Govinda”, o nome da Deidade, é uma forma dourada de Krishna tocando flauta. Então Kasisvara Pandit alegremente foi para Vrindavana a fim de servir Gaura-Govinda e Govindaji.

O Sri Sadhana Dipika diz: “Eu adoro Sri Kasisvara Pandit cujo poder de amor e devoção trouxe Sri Chaitanya para a Índia ocidental como uma Deidade.” Hoje em dia as Deidades originais de Gaura-Govinda e Govindaji são amorosamente adoradas por milhares de devotos em Jaipur, Rajasthan.

O samadhi original de Kasisvara Pandit fica na Área dos 64 Samadhis. (21,23)

MURARI GUPTA

Sri Murari Gupta, um discípulo de Sri Chandrasekhara Acharya, possuia extraordinária humildade. Tinha um relacionamento vitalício com o Senhor Chaitanya. Embora de classe mais adiantada, Murari sempre perdia nos debates com Sri Nimai Pandit. Durante um dos inflamados argumentos eles começaram a se empurrar. A rusga continuou dentro do Ganges. Remexeram tanto a lama do fundo que as senhoras não podiam encher seu potes e os brahmanas não conseguiram tomar banho devidamente.

Nos kirtanas noturnos em Srivasa Angam, Murari Gupta satisfazia Gaurahari com melodioso cantar do Bhagavata. Também cantava e dançava peritamente. Murari Gupta serviu Sri Chaitanya em todas Suas Nadia lilas.

O Senhor Chaitanya uma vez testou o apego de Murari Gupta a seu adorável Senhor Ramachandra. O Senhor Gaurasundara pregou para Murari sobre a suprema doçura e posição de Vrajendra-kumara (Krishna): "Murari, apenas adore Krishna e tome refúgio Nele. Nada além de Seu serviço pode satisfazer a mente." Embora Murari Gupta ficasse algo inclinado ao Sri Krishna, o pensamento de perder a associação do Senhor Ramachandra devastou-o. Naquela noite ele orou ao Senhor Rãma para tomar sua vida. Pedia isso porque não conseguia parar de servir Rãma, nem podia desafiar o pedido de Sri Chaitanya.

Após chorar a noite inteira, Murari se aproximou do Senhor Chaitanya e disse: "Que devo fazer? Vendi minha cabeça aos pés de lótus do Senhor Ramachandra. Mas se eu violar Tua ordem de adorar o Senhor Sri Krishna, então que posso fazer?"

Sorrindo, Sri Gaura Raya retrucou: "Todas as glórias a Murari Gupta! És tão fixo em tua adoração que mesmo Meu pedido não conseguiu virar tua mente. Isto é exatamente o tipo de amor e afeição que o servo deve ter pelos pés de lótus do Senhor. Mesmo se o Senhor quiser separação, um devoto não consegue abandonar o abrigo de Seus pés de lótus. Só para testar tua firme fé no teu Senhor, eu te pedi repetidamente para mudar tua adoração do Senhor Rãma para Senhor Krishna."

Congratulando Murari Gupta, o Senhor continuou: "És a encarnação de Hanuman, o eterno servo do Senhor Rãma. Portanto, por que deverias abandonar tua adoração ao Senhor Rãma?

De outra feita, o Senhor Chaitanya mostrou Sua forma como Senhor Ramachandra com Janaki, Lakshmana, e uma hoste de macacos recitando hinos e orações. Vendo-se entre aqueles macacos na sua forma original de Hanuman, Murari Gupta desmaiou. Em Katva, quando o Senhor Chaitanya tomou sannyasa, Murari Gupta assistiu, chorando como uma criança. E quando Sriman Mahaprabhu mudou-se para Jagannatha Puri, Murari e sua esposa vinham a cada ano para saborear a companhia do Senhor.

Como nascera numa dinastia de médicos ayur-védicos, Murari Gupta praticava medicina. Mas sua prática era singular, pois curava as mazelas físicas de seus pacientes bem como também os livrava da doença da existência material. Ele escreveu a primeira biografia de Sri Chaitanya Mahaprabhu, uma importante obra sânscrita chamada Sri Chaitanya Charita Mahavakya. Seu samadhi fica na Área dos 64 Samadhis.

NARAHARI SARAKARA THAKURA

“Antes de encontrar Mahaprabhu, Narahari havia escrito muitas canções sânscritas e bengalis sobre a vraja rasa de Radha-Giridhari. Mais tarde, ele e Gadadhara Pandit sempre ficavam com o Senhor Chaitanya. Narahari costumava satisfazer o Senhor agitando uma chamara ou uma ventarola de pavão. A canção Gaura-aroti de Srila Thakura Bhaktivinoda glorifica isso, Narahari adi kori chamara dhulaya.

A família de Narahari Sarakara era o orgulho dos Vaisnavas. Pela influência deles todas pessoas em Sri Khanda se tornaram Vaisnavas. A aldeia inteira virou “um ramo da árvore filosofal do amor por Deus.” Desde a época do Senhor Gaurachandra, Sri Khanda tem sido um centro de pregação para o Gaudiya Vaisnavismo. Certo dia Sri Nityananda Prabhu veio para Sri Khanda e perguntou a Narahari: “Tudo bem, nós sabemos quem és. Portanto onde está o mel?” Através de seu poder místico, Narahari transformou um pote d’água em mel super doce para o prazer do Senhor. Narahari serve o Senhor Shyamasundara na Vraja lila como Madhumati, uma prana-sakhi que fornece mel de dar água na boca a Radha-Damodara e Seus entes queridos.

O próprio ser de Narahari Sarakara era saturado de Radha-Krishna prema. Ninguém pode sondar a profundidade de sua devoção e amor puro por Radha e Krishna. Em Vraja ele é a querida sakhi de Radha, Madhumati (um reservatório de doçura). E na Gauranga lila ele é Narahari, um reservatório de Radha-Krishna prema.” (Sri Chaitanya Mangala)

Os livros de Narahari Sarakara, Padakalpataru e Krishna-bhajanamrta incluem maravilhosas canções louvando o Senhor Gauranga e Sri Nityananda Prabhu. Sripad B. V. Narayana Maharaja disse: “Narahari compôs muitas nectáreas canções ambrosíacas que transbordam com a mais doce devoção.”

No Sri Krishna Bhajanamrtam, Narahari ensina como adorar Sri Krishna e Sri Chaitanya Mahaprabhu.

Sri Lochana Dasa Thakura e muitos outros eram discípulos de Narahari Sarakara Thakura. Embora não seja acessível, seu samadhi fica no Radha-kunda.

NIMBARKACHARYA

É difícil encontrar biografias acuradas, contudo as autoridades concordam em que Sri Nimbarkacharya pregava consciência de Krishna há aproximadamente trezentos anos antes do advento de Sri Chaitanya Mahaprabhu.

No Navadvipa Dhama Mahatmyam, Srila Bhaktivinoda Thakura diz que Nimbarka anteriormente tinha adorado o Senhor Shiva em Bilva Paksha, Rudradvipa (Navadvipa). O Senhor Shiva apareceu diante de Nimbarka instruindo-o a tomar iniciação dos quatro Kumaras, que estavam meditando ali perto. Nimbarka recebeu o Radha Krishna mantra e continuou a viver em Navadvipa. Seguindo os ensinamentos do Sanat-Kumara Samhita, ele adorou Radha e Krishna com grande amor. Em breve, Radha e Krishna apareceram diante de Nimbarka. Então o Divino Casal mostrou Sua forma unificada como Sri Gauranga Mahaprabhu.

O Senhor Gauranga disse: “Nimbarka, no futuro quando Eu começar Meu movimento de sankirtana, pregarei pessoalmente a perfeita filosofia transcendental de achintya-bheda-abheda-tattva. Tomarei a essência das filosofias de Madhva, Ramanuja, Vishnuswami. De ti, Nimbarka, vou pegar dois importantes princípios: 1) a necessidade de tomar refúgio em Srimati Radharani. 2) A alta estima do amor das Vraja gopis por Sri Krishna.” O Senhor Gauranga desapareceu após instruir Nimbarka. Derramando lágrimas de êxtase, Nimbarka deixou Navadvipa para começar sua missão de pregação. Na Chaitanya lila, Nimbarka apareceu como Keshava Kasmiri e recebeu amor por Deus diretamente de Nimai Pandit.

Existem semelhanças marcantes entre os Gaudiyas e Nimbarkas. Os seguidores de Nimbarka aceitam as seis formas de rendição, praticam os nove ramos de bhakti, e acreditam no dasa mula (dez pontos cardeais da filosofia Gaudiya). Eles também adoram Radha e Krishna em Vrindavana. Eles adoram Srimati Radharani como a mais elevada devota, e aceitam que o amor das gopis por Krishna é supremo. Com contas, bhajans, e kirtans os Nimbarkas cantam sua versão do maha-mantra: Radhe Krishna Radhe Krishna Krishna Krishna Radhe Radhe, Radhe Shyama Radhe Shyama Shyama Shyama Radhe Radhe.

Em Vrindavana, aproximadamente a uma milha de Govardhana, temos o vilarejo de Nimgaon, assim nomeado por causa de Nimbarkacharya, que viveu ali desde a infância e mais tarde realizou bhajana lá. Muitos dos locais de passatempos de Radha-Krishna em Vrindavana agora são mantidos pela seita Nimbarka. Em Mathura-Vrindavana, inúmeros devotos seguem a senda da bhakti de Nimbarka. O Sriji Mandir, pertinho do Loi Bazaar em Vrindavana, serve como centro da Nimbarka sampradaya.

RAMACANDRA

Sukadeva Goswami disse: O filho de Maharaja Khatvanga foi Dirghabahu, cujo filho foi o célebre Maharaja Raghu. De Maharaja Raghu surgiu Aja, e de Aja nasceu a grande personalidade Maharaja Dasaratha.
Ao receber orações dos semideuses, a Suprema Personalidade de Deus, a própria Verdade Absoluta, apareceu diretamente com sua expansão e expansões da expansão. Seus santos nomes eram Rama, Laksmana, Bharata e Satrughna. Como filhos de Maharaja Dasaratha, essas célebres encarnações apareceram então sob quatro formas.

Ó rei Pariksit, as atividades transcendentais do Senhor Ramacandra foram descritas por grandiosas pessoas santas que viram a verdade. Como ouviste repetidas vezes a respeito do Senhor Ramacandra, o esposo de mãe Sita, farei apenas uma descrição sucinta dessas atividades. Por favor, presta atenção.

Para manter intacta a promessa feita por Seu pai, o Senhor Ramacandra imediatamente abandonou a posição de rei e, acompanhado de Sua esposa, mãe Sita, vagou de floresta em floresta com Seus pés de lótus, que eram tão delicados a ponto de serem incapazes de suportar até mesmo o afago das palmas das mãos de Sita. O Senhor fazia-se acompanhar por Hanuman, o rei dos macacos, [ou por outro macaco, Sugriva], e pelo Seu próprio irmão caçula, o Senhor Laksmana, ambos os quais serviam para aliviar a fadiga que Ele sentia ao perambular pela floresta. Tendo cortado o nariz e as orelhas de Surpanakha, deixando-a, portanto, desfigurada, o Senhor perdeu a companhia de mãe Sita. Por conseguinte, Ele ficou irado, e franziu Suas sobrancelhas, e com isto amedrontou o oceano, que então permitiu que o Senhor construísse uma ponte para cruzá-lo. Em seguida, tal qual um incêndio que devora uma floresta, o Senhor entrou no reino de Ravana para matá-lo. Que esse Supremo Senhor Ramacandra proteja-nos.

Na arena do sacrifício realizado por Visvamrta, o Senhor Ramacandra, o rei de Ayodhya, matou muitos demônios, Raksasas e homens incivilizados que, à noite vagavam, influenciados pelo modo da escuridão. Possa o Senhor Ramacandra, que, na companhia de Laksmana, matou todos esses demônios, ser bastante bondoso para proteger-nos.
Ó rei, os passatempos do Senhor Ramacandra eram maravilhosos, como os de um filhote de elefante. Na assembléia onde mãe Sita deveria escolher seu esposo, Ele, em meio aos heróis deste mundo, quebrou o arco pertencente ao Senhor Shiva. Esse arco era tão pesado que eram necessários trezentos homens para carregá-lo, mas o Senhor Ramacandra esticou-o, dobrou-o e partiu-o ao meio, assim como um filhote de elefante quebra uma haste de cana-de-açúcar. Assim, o Senhor obteve a mão de mãe Sita, que possuía no mesmo nível de igualdade as qualidades transcendentais: forma, beleza, comportamento, idade e natureza. Na verdade, ela era a deusa da fortuna que, constantemente, repousa no peito do Senhor. Enquanto retornava da casa de Sita após revê-la na assembléia de competidores, o Senhor Ramacandra encontrou-se com Parasurama. Embora fosse muito orgulhoso de ter eliminado da Terra a ordem real vinte e uma vezes, Parasurama foi derrotado pelo Senhor, que parecia um ksatriya da ordem real.
Cumprindo a ordem de Seu pai, que estava atado por uma promessa à sua esposa, o Senhor Ramacandra deixou para trás o Seu reino, opulência, amigos, benquerentes, residência e tudo o mais, assim como uma alma liberada abandona sua vida, e, com Sita, foi para a floresta.

Enquanto vagava pela floresta, onde aceitou uma vida cheia de dificuldades, o Senhor Ramacandra, carregando nas mãos seus invencíveis arco e flechas, mutilou a irmã de Ravana, que estava tomada de desejos luxuriosos, cortando-lhe o nariz e as orelhas. Ele matou também seus quatorze mil amigos Raksasas, encabeçados por Khara, Trisira e Dusana.
Ó rei Pariksit, quando Ravana, que tinha dez cabeças sobre seus ombros, ouviu comentários acerca dos belos e atraentes traços de Sita, sua mente ficou agitada por desejos luxuriosos, e ele foi tentar raptá-la. Para afastar o Senhor Ramacandra de Seu asrama, Ravana enviou Marica sob a forma de um veado dourado, e ao ver aquele maravilhoso veado, o Senhor Ramacandra deixou Sua residência e seguiu-o até conseguir matá-lo com um flecha afiada, assim como o Senhor Shiva matou Daksa.
Quando Ramacandra entrou na floresta e Laksmana também se ausentou, o pior dos Raksasas, Ravana, raptou Sitadevi, a filha do rei de Videha, assim como um tigre captura ovelhas desprotegidas aproveitando-se da ausência do pastor. Em seguida, como se estivesse muito aflito devido à separação de Sua esposa, o Senhor Ramacandra caminhou pela floresta com Seu irmão Laksmana. Com isto, Ele mostrou com Seu exemplo pessoal a condição de uma pessoa apegada a mulheres.
O Senhor Ramacandra, cujos pés de lótus são adorados pelo Senhor Brahma e pelo Senhor Shiva, havia assumido a forma de ser humano. Assim, Ele realizou a cerimônia fúnebre de Jatayu, que havia sido morto por Ravana. O Senhor matou então o demônio chamado Kabandha, e após fazer amizade com os líderes dos macacos, matar Vali e propiciar a libertação de mãe Sita, Ele dirigiu-Se à beira-mar.

Após alcançar a praia, o Senhor Ramacandra jejuou durante três dias, enquanto esperava a chegada do oceano personificado. Ao ver que o oceano não aparecia, o Senhor manifestou Seus passatempos de ira, e pelo Seu simples olhar em direção ao oceano, todas as entidades que viviam dentro dele, incluindo os crocodilos e tubarões, ficaram tomados de medo. Então, o oceano personificado, temeroso, aproximou-se do Senhor Ramacandra, levando toda a parafernália utilizada no processo de adoração ao Senhor. Caindo a Seus pés de lótus, o oceano personificado falou as seguintes palavras.

Ó onipenetrante Pessoa Suprema, temos mente obtusa e não havíamos entendido quem éreis, mas agora sabemos que sois a Pessoa Suprema, o mestre de todo o Universo, a imutável e original Personalidade de Deus. Os semideuses sentem-se orgulhosos no modo da bondade, os Prajapatis se envaidecem com o modo da paixão, e o senhor dos fantasmas vangloria-se do modo da ignorância, mas sois o mestre de todas essas qualidades.
Meu Senhor, podeis usar minha água como desejardes. Na verdade, podeis cruzá-la e ir até a morada de Ravana, que é grande fonte de perturbação e pranto para os três mundos. Ele é filho de Visvara, mas é detestável como a urina. Por favor, ide matá-lo para depois reaver Vossa esposa, Sitadevi. Ó grande herói, embora minha água não represente nenhum impedimento à Vossa marcha à Lanka, por favor, construí uma ponte sobre ela para difundirdes Vossa fama transcendental. Ao tomarem conhecimento desta maravilhosa e incomum façanha de Vossa Onipotência, todos os grandes sábios e reis futuros glorificar-Vos-ão.

Sukadeva Goswami disse: Após construir uma ponte sobre o oceano, atirando na água picos de montanhas cujas árvores e outra vegetação haviam sido sacudidas pelas mãos dos grandes macacos, o Senhor Ramacandra foi até Lanka para libertar Sitadevi, tirando-a das garras de Ravana. Com a orientação e ajuda de Vibhisana, irmão de Ravana, o Senhor, juntamente com os macacos-soldados, encabeçados por Sugriva, Nila e Hanuman, entrou no reino de Ravana, Lanka, que anteriormente fora queimado por Hanuman.

Após entrarem em Lanka, os macacos-soldados, conduzidos por líderes como Sugriva, Nila e Hanuman, ocuparam todas as casas de diversão, celeiros, tesouros, entradas de palácios, pontes urbanas, assembléias, frontispícios de palácios e mesmo os pombais. Quando na cidade as encruzilhadas, plataformas, bandeiras e cântaros dourados colocados nas cúpulas foram todos destruídos, toda a cidade de Lanka parecia um rio assolado por uma manada de elefantes.

Ao ver as perturbações criadas pelos macacos-soldados, Ravana, o mestre dos Raksasas, convocou Nikumbha, Kumbha, Dhumraksa, Durmukha, Surantaka, Narantaka, outros Raksasas e seu filho Indrajit. Em seguida, mandou chamar Prahasta, Atikaya, Vikampana e finalmente Kumbhakarna. Daí, ordenou que todos os seus seguidores lutassem contra os inimigos.

O Senhor Ramacandra, ladeado de Laksmana e macacos-soldados, tais como Sugriva, Hanuman, Gandhamada, Nila, Angada, Jambavan e Panasa, atacou os soldados dos Raksasas, que estavam muito bem equipados com várias armas invencíveis, tais como espadas, lanças, arcos, prasas, rstis, flechas sakti, khadgas e tomaras.
Angada e outros comandantes dos soldados de Ramacandra enfrentaram os elefantes, a infantaria, os cavalos e as quadrigas do inimigo e arremessaram contra eles grandes árvores, picos de montanhas, maças e flechas. Assim, os soldados do Senhor Ramacandra mataram os soldados de Ravana, que perderam toda a boa fortuna porque Ravana fora condenado pela ira de mãe Sita.

Depois, ao perceber que perdera os seus soldados, Ravana, o rei dos Raksasas, ficou extremamente irado. Assim, subiu para o seu aeroplano, que estava decorado com flores, e foi ao encontro do Senhor Ramacandra, que estava sentado na refulgente quadriga trazida por Matali, o quadrigário de Indra. Então, Ravana tentou acertar o Senhor Ramacandra com flechas afiadas.

O Senhor Ramacandra disse a Ravana: És o mais abominável dos antropófagos. Na verdade, és igual ao excremento deles. Pareces um cão, pois, assim como na ausência do dono da casa, um cão rouba o alimento da cozinha, em Minha ausência, raptaste Minha esposa Sitadevi. Portanto, assim como Yamaraja pune os homens pecaminosos, também te punirei. És muito abominável, pecaminoso e descarado. Hoje, portanto, Eu, que jamais falho em Meus intentos, estou disposto a punir-te.

Após repreender Ravana com essas palavras, o Senhor Ramacandra fixou uma flecha em Seu arco, apontou para Ravana e disparou a flecha, que trespassou o coração de Ravana como um raio. Ao verem isso, os seguidores de Ravana fizeram um som tumultuoso, gritando: “Oh, não! Oh não! Que aconteceu? Que aconteceu?” enquanto Ravana, vomitando sangue por suas dez bocas, caía de seu aeroplano, assim como um homem piedoso cai dos planetas celestiais em direção à Terra, quando se esgotam os resultados de suas atividades piedosas.

Em seguida, encabeçadas por Mandodari, a esposa de Ravana, todas as mulheres cujos esposas tombaram na batalha saíram de Lanka. Chorando continuamente, elas aproximaram-se dos cadáveres de Ravana e de outros Raksasas.
Golpeando os seios, aflitas porque seus esposos haviam sido mortos pelas flechas de Laksmana, as mulheres abraçaram seus respectivos esposos e choravam lamuriantemente, e seus gemidos sensibilizavam a todos.
Ó meu senhor, ó mestre! Foste um problema para os outros, e, portanto, eras chamado Ravana. Mas agora que foste derrotado, também fomos derrotadas, pois sem ti, o Estado de Lanka foi conquistado pelo inimigo. E quem ele se refugiará?

Ó pessoa afortunadíssima, deixas-te influenciar por desejos luxuriosos, e, portanto, não pudeste entender o prestígio de mãe Sita. Agora, devido à maldição que ela lançou, foste reduzido a este estado, tendo sido morto pelo Senhor Ramacandra.
Ó prazer da dinastia Raksasa, devido a ti, o Estado de Lanka e também nós próprias agora não temos protetor. Através de teus feitos, tornaste teu corpo digno de ser devorado pelos abutres e tua alma digna de ir ao inferno.
Sri Sukadeva Goswami disse: Vibhisana, o piedoso irmão de Ravana e devoto do Senhor Ramacandra, recebeu os louvores do Senhor Ramacandra, o rei de Kosala. Então, ele realizou as cerimônias fúnebres em prol de seus membros familiares, a fim de salvá-los do caminho do inferno.

Em seguida, o Senhor Ramacandra encontrou Sitadevi sentada a uma pequena cabana, sob uma árvore chamada Simsapa, numa floresta de árvores Asoka. Magra e esquálida, ela sentia-se pesarosa devido à separação dEle.

Vendo Sua esposa naquelas condições, o Senhor Ramacandra encheu-Se de compaixão. Quando Ramacandra apareceu diante dela, ela ficou extremamente feliz ao ver seu amado, e sua boca de lótus expressava sua alegria.

Após dar a Vibhisana o poder de governar a população Raksasa de Lanka pela duração de uma kalpa, o Senhor Ramacandra, a Suprema Personalidade de Deus [Bhagavan], colocou Sitadevi num aeroplano decorado com flores e então Ele próprio subiu para o aeroplano. Tendo terminado o período de Sua permanência na floresta, o Senhor retornou a Ayodhya, acompanhado de Hanuman, Sugriva e de Seu irmão Laksmana.
Ao retornar à Sua capital, Ayodhya, o Senhor Ramacandra, ainda na estrada, foi saudado pela ordem principesca, que derramou sobre Seu corpo belas e fragrantes flores, enquanto grandes personalidades como o Senhor Brahma e outros semideuses glorificavam com muito júbilo as atividades do Senhor.

Ao chegar a Ayodhya, o Senhor Ramacandra ficou sabendo que, em Sua ausência, Seu irmão Bharata comia cevada preparada em urina de vaca, cobria Seu corpo com casca de árvores, usava mechas de cabelo entrelaçadas e deitava-se sobre uma esteira de kusa. O misericordiosíssimo Senhor muito lamentou isto.
Ao compreender que o Senhor Ramacandra retornava à capital, Aydhya, o Senhor Bharata imediatamente pôs sobre Sua própria cabeça os tamancos do Senhor Ramacandra e saiu de Seu acampamento em Nandigrama. O Senhor Bharata fazia-Se acompanhar por ministros, sacerdotes e outros cidadãos respeitáveis, por músicos profissionais que vibravam melodias agradáveis, e por brahmanas eruditos que cantavam alto os hinos védicos.

Seguindo o cortejo, havia quadrigas puxadas por belos cavalos cujos arreios tinham rédeas de ouro. Essas quadrigas estavam decoradas com bandeiras bordadas a ouro e com outras bandeiras de vários tamanhos e formatos. Havia soldados usando armaduras de ouro, servos portando noz de bétel, e muitas prostitutas belas e famosas. Muitos servos seguiam a pé, carregando uma sombrinha, abanos, diferentes qualidades de jóias preciosas, e outra parafernália digna de uma recepção real. Acompanhado dessa maneira, o Senhor Bharata, com Seu coração tomado de êxtase e Seus olhos rasos d’água, aproximou-Se do Senhor Ramacandra e, em grande amor extático, caiu a Seus pés de lótus.

Após apresentar os tamancos diante do Senhor Ramacandra, o Senhor Bharata, permaneceu de mãos postas, com os olhos cheios de lágrimas, e o Senhor Ramacandra banhou Bharata com Suas lágrimas enquanto O abraçava demoradamente com ambos os braços. Acompanhado de mãe Sita e Laksmana, o Senhor Ramacandra ofereceu então Suas respeitosas reverências aos brahmanas eruditos e às pessoas mais velhas da família, e todos os cidadãos de Ayodhya prestaram respeitosas reverências ao Senhor.

Os cidadãos de Ayodhya, ao verem seu rei retornando após longa ausência, ofereceram-Lhe guirlandas de flores, agitaram seus mantos e dançaram em grande júbilo.
Ó rei, o Senhor Bharata carregava os tamancos do Senhor Ramacandra, Sugriva e Vibhisana carregavam um abano e um excelente leque, Hanuman carregava uma sombrinha branca, Satrughna carregava um arco e duas alvajas, e Sitadevi carregava um cântaro que estava cheio de água dos lugares sagrados. Angada carregava uma espada, e Jambavan, o rei dos Rksas, carregava um escudo de ouro.
Ó rei Pariksit, logo que o Senhor sentou-Se em Seu aeroplano de flores, com as
mulheres oferecendo-Lhe orações e recitadores glorificando Suas características, Ele parecia a Lua rodeada por estrelas e planetas.
Em seguida, tendo recebido as boas-vindas de Seu irmão Bharata, o Senhor Ramacandra entrou na cidade de Ayodhya em meio a um festival. Ao adentrar-Se no palácio, Ele ofereceu reverências a todas as mães, incluindo Kaikeyi e as outras esposas de Maharaja Dasaratha, e especialmente à Sua própria mãe, Kausalya. Ofereceu, também, reverências aos preceptores espirituais, tais como Vasistha. Amigos de Sua própria idade e amigos mais jovens adoraram-nO, e Ele respondeu às suas respeitosas reverências, e essa mesma atitude foi também tomada por Laksmana e mãe Sita. Dessa maneira, todos eles entraram no palácio.
Ao verem seus filhos, as mães de Rama, Laksmana, Bharata e Satrughna imediatamente levantaram-se, como corpos inconscientes que recuperam a consciência. As mães puseram seus filhos em seus colos e banharam-nOs com lágrimas, aliviando-se assim do sofrimento causado pela longa separação.

O sacerdote ou mestre espiritual familial, Vasistha, providenciou para que o Senhor Ramacandra cortasse o Seu cabelo, e então Se livrasse de Suas mechas emaranhadas. Depois, com a cooperação dos membros mais velhos da família, ele realizou a cerimônia de banho [abhiseka] do Senhor Ramacandra, utilizando a água dos quatro mares e outras substâncias, do mesmo modo que ela fora realizada para o rei Indra.

O Senhor Ramacandra, tendo se banhado e estando com Sua cabeça raspada, vestiu-Se com muito esmero e estava decorado com uma guirlanda e jóias. Assim, Ele brilhava refulgentemente, cercado por Seus irmãos e esposa, que usavam roupas e adornos de padrão semelhante.
Estando satisfeito com a plena rendição e submissão do Senhor Bharata, o Senhor Ramacandra aceitou então o trono do Estado. Ele cuidava dos cidadãos exatamente como um pai, e os cidadãos, estando completamente dedicados a seus deveres ocupacionais determinados pelo seu varna e asrama, aceitaram-nO como seu pai.

O Senhor Ramacandra tornou-Se rei durante a Treta-yuga, porém, devido ao Seu bom governo, era como se as pessoas estivessem na Satya-yuga. Todos eram religiosos e completamente felizes.
Ó Maharaja Pariksit, ó melhor da dinastia Bharata, durante o reinado do Senhor Ramacandra, as florestas, os rios, as montanhas e colinas, os Estados, as sete ilhas e os sete mares estavam todos propícios a suprir com as necessidades da vida de todos os seres vivos.

Quando o Senhor Ramacandra, a Suprema Personalidade de Deus, era o rei deste mundo, todos os sofrimentos mentais e físicos, doenças, velhice, pesar lamentação, angústia, medo e fadiga eram completamente ausentes. Nem sequer havia morte para aqueles que não a queriam.
O Senhor Ramacandra fez o voto de aceitar apenas uma esposa e não ter vínculos com nenhuma outra mulher. Ele era um rei santo, e tudo em Seu caráter era bom, não estigmatizado por defeitos, tais como a ira. Ele ensinou bom comportamento a todos, especialmente aos pais de família, tomando como base o varnasrama-dharma. Destarte, por meio de Suas atividades pessoais, Ele ensinou ao público em geral.

Mãe Sita era muito submissa, fiel, tímida e casta, compreendendo sempre a atitude de seu esposo. Assim, com seu caráter, amor e serviço, ela atraiu por completo a mente do Senhor.
“Assim como o Senhor Ramacandra é o esposo ideal, mãe Sita é a esposa ideal. Tal combinação torna a vida familiar muito feliz. Qualquer que seja o exemplo que um grande homem estabeleça as pessoas comuns seguem-no. Se os reis, os líderes, e os brahmanas, os preceptores, pusessem em prática os exemplos apresentados na literatura védica, o mundo inteiro viraria o céu; de fato, não mais haveria condições infernais neste mundo material”(Srila Prabhupada, significado Srimad-Bhagavatam, Canto 9, Capítulo 10, verso 55)

RAMANUJACHARYA

(1017-1137) foi o principal acharya na Sri-sampradaya, uma das quatro linhas principais de mestres e discípulos vaishnavas. Seu comentário do Vedanta-sutra — Sri-bhasya — estabelece a qualificada doutrina conhecida como Vishishtadvaita, não-dualismo. Forte proponente da filosofia do personalismo, ele ensinou que embora o Senhor Supremo e as almas individuais sejam qualitativamente unos, ainda assim há uma diferença entre eles, porque o Senhor é infinito e as entidades vivas são infinitesimais. Srila Ramanujacharya viajou extensivamente ao longo da Índia, ensinando o personalismo e derrotando os proponentes da filosofia monística. Fundou setenta e quatro centros de Sri Vaishnavism e iniciou setecentos sannyasis (monges renunciados), doze mil brahmacharis (estudantes celibatários), e milhares de chefes de famílias, inclusive os reis e proprietários de abastadas terras.

SARANGA THAKURA

Um importante ramo da árvore de Sri Chaitanya, Sri Saranga Thakura (Saranga Murari) viveu em Mamagacchi, Modadrumadvipa (Navadvipa). Permanecendo sob uma árvore bakula, Saranga Thakura trabalhava duro todo dia para agradar sua Deidade adorável. Sozinho, ele coletava frutas, vegetais, e lenha. Também mendigava arroz, cozinhava, banhava e vestia seu Senhor. Após um dia cheio de serviço à Deidade, Saranga atravessava o Rio Ganges para juntar-se ao grupo de Hari-Nama sankirtana de Mahaprabhu em Mayapur.

Durante uma visita, O Senhor Gauranga notou que a amada árvore bakula de Saranga estava secando e quase morta. O Senhor Chaitanya abraçou a árvore com Seus belos braços dourados. Completamente rejuvenescida, a árvore irrompeu em folhas verdes e novas super fragrantes. Até hoje em dia, devotos de Sri Chaitanya Mahaprabhu adoram esta árvore kalpa vrksha especial de Sri Dhama Mayapur. Alguns devotos coletam pequenos pedaços de madeira que ocasionalmente caem, e fazem colares ou os adoram.

Saranga Thakura fez um voto de nunca iniciar discípulos apesar da insistência do Senhor Chaitanya. Um dia ele ascedeu e decidiu iniciar a primeira pessoa que visse. Enquanto se banhava no Ganges, ele esbarrou num cadáver que boiava. De repente este voltou à vida. Estarrecido, o homem lentamente se identificou e prestou reverências a Saranga Thakura que acabava de renovar sua vida miraculosamente. Após dar-lhe mantra diksha, Saranga Thakura tornou-se famoso como “Saranga Murari Thakura,” porque o nome anterior do discípulo era Murari.

Na Vraja lila, Saranga serve Radha-Gopinatha como Nandimukhi-sakhi. Fazendo um passeio de quarenta e cinco minutos de rickshaw a partir do centro de Navadvipa, ainda se pode ver as Deidades de Saranga Thakura e a árvore bakula kalpa vrksha.